
paper books vs. kindle
Com o advento da Internet e da Web, é-nos agora possível obter conteúdos que doutro modo estariam por ventura fora do nosso alcance. Na “aldeia global” em que nós, enquanto consumidores e produtores de informação, vivemos é-nos permitido o acesso a uma multiplicidade de conteúdos que o papel dificultava, ou seja, a matéria impressa começa a ser vista como um meio de chegar à informação de um modo mais lento do que através da Internet.Ora é de admirar, por oposição, que a quantidade de matéria impressa em cada ambiente doméstico tenha aumentado desde o aparecimento da Internet. Isto porque, tal como diz Ludovico, o digital está longe de substituir o analógico, devido quer à (ainda) inadaptação da nossa capacidade de leitura de um texto em formato não-impresso, à falta de meios digitais de qualidade que possam ser uma “troca justa” com papel impresso, quer ao facto de, ao mergulharmos na rede, sermos bombardeados com informação que sentimos necessidade de organizar e seleccionar recorrendo à impressão.
Por outro lado, a matéria impressa (o livro, a revista) viu o seu valor transladado para o digital, para a partilha de conteúdos muitas vezes desgovernada, e que, segundo Alessandro Ludovico, não atribuiu características diferentes ao objecto para além da sua mais fácil reprodutibilidade em larga escala e a (relativo) baixo preço.
No seu todo, este texto de Ludovico faz uma reflexão sobre o valor do papel na era do digital, e questiona-se sobre o seu futuro (irá o papel acabar?), concluindo que, provavelmente, o papel fará sempre, de uma maneira ou de outra, parte da visualização de informação e do modo como comunicamos.
Nos links em baixo é possível encontrar as referências utilizadas para a realização da fase 2 do exercício 2 de DCIII. Os exemplos remetem-se ao trabalho de vários artistas sobre a visualização de informação e seu enquadramento no espaço temporal
Fase 1
Na fase 1 deste exercício, procurei encontrar uma correspondência entre a frase “Fixed- Fluid” (Now, increasingly, the output is a variable not a constant) de Chris Pullman, e o design de informação e a visualização de informação. Procurei criar vários planos (representados pelos quadrados coloridos) que, pelas transparências, mostram a selecção da informação e a sua intercepção. A utilização (manipulada) duma imagem de um trabalho de Ben Fry ,“Emrun”, sobre a visualização de palavras-chave utilizadas em emails, tenta unir-se a essa mensagem de plano que se altera e a do qual é possível extrair informação. A visualização de informação e sua selecção é, assim, enfatizada pela transparência de planos, que se intercedem (apelando a uma selecção e hierarquização da informação). Cada rectângulo/plano é criado com cores que partem do CMYK e do objecto impresso, fazendo um contraponto entre aquilo que é o objecto fixo (cartaz) e aquilo que é fluído (visualização dessa informação).
Fase 2
Na fase 2 deste projecto, e tendo ainda em vista a visualização de informação e sua selecção, criei uma animação que procura mostrar a selecção de conteúdos. Através de um clique num botão, é possível, hipoteticamente, activar-se um conteúdo, um destaque, um elemento do texto, um título. A base (um jornal de um país de leste, do ano de 1935) é fixa: o que altera é a forma como o utilizador destaca, selecciona, sublinha e anula conteúdo (texto). Esta nova capacidade de seleccionar aquilo que se toma como output, projecto final, é o mote do texto de Chris Pullman,“Some things change”- o espaço que era outrora era fixo, imutável, é agora passível de sofrer alterações perpetradas pelo leitor/espectador, que assume um papel activo e se torna utilizador do objecto de design.
Com esta criação temporal, é possível mostrar o espaço da quarta dimensão referida por Pullman e criar um paralelo entre aquilo que fazemos quando lemos um texto fisicamente, e quando o fazemos m formato digital, quer seja através de um e-book (onde é possível aproximar e seleccionar informação) ou até mesmo em motores de busca ou ferramentas semelhantes que nos permitem manipular o output.
“An Incomplete Manifesto for Growth” é um manifesto escrito por Bruce Mau em 1998. Aqui o designer articula as suas crenças, estratégias e motivações, espelhando o processo criativo da sua firma de design, BMD.
Bruce Mau é um designer gráfico canadiano nascido em 1959, e que fundou o Bruce Mau Design (BMD) e o Institute without Boundaries. Escreveu diversos livros, entre os quais Massive Change, que problematiza a maneira como o design deve lidar com os problemas ambientais e sociais.
Este manifesto expressa a maneira de trabalhar na sua firma canadiana de design (BMD), composta por 50 pessoas de diferentes áreas, onde se criam obras multidisciplinares, e onde se da vida às ideias, se transformam marcas e se ajudam empresas a crescer. Trabalham tanto com pequenas empresas como grandes corporativas. O seu método de trabalho consiste em ouvir o cliente e compreendê-lo, comprometendo-se a fazer design universal, com grande profundida de pensamento, desenvolvendo trabalhos com clareza de propósito, visão arrojada e impacto visual.
1ª fase
Na primeira fase deste exercício (composição) utilizei a frase “ If you like it, do it again. If you don’t like it, do it again” do manifesto supra mencionado. Enfatizando as relações de repetição e de afirmação/ negação, procurei criar quatro composições que demonstrassem essas características da frase, utilizando para isso a Akzidenz- Grotesk BQ como principal fonte tipográfica pelo seu peso visual e carga histórica, tendo feito também uso de Futura Std em Bold Oblique para contrastar com a primeira fonte.
2ª fase
Na segunda fase deste exercício procurei criar uma linguagem associada ao nome do manifesto para criar o lettering que seria inserido num poster. No frontispício desse cartaz, o título do manifesto é composto de modo a que a ideia de “incomplete” seja levada de um modo literal pelo facto de algumas letras estarem de facto incompletas e outras obstruídas (para tal utilizei uma fonte que se presta a estas alterações sem perder a sua identidade: Futura). No verso existe uma enunciação de alguns tópicos do manifesto de Bruce Mau e um destaque a um dos pontos deste manifesto, tentando-se transpor a linguagem da capa para o verso. Tratando-se de um cartaz (des)dobrável em três partes, cada parte constrói um todo: a primeira parte mostra-nos um destaque que apela a uma identificação com a linguagem da capa; na segunda parte encontram-se tópicos do manifesto que considerei ilustrativos daquilo que é o manifesto no seu todo; na terceira parte encontra-se uma citação da capa que complementa um texto sobre o contexto deste “Incomplete Manifesto for Growth”.